terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O PAÍS DOS SONHOS NÃO É AQUI


Me assusta viver num país onde a corrupção, a desfarçatez, o empreguismo político e os interesses mesquinhos de uma dúzia de párias estão acima da honra, do caráter, da valorização da vida humana e até mesmo da dignidade de um povo. Tudo no país está falido suas instituições destroçadas pelo mal da falta de honestidade, pela mancha da falta de ética e pela imoralidade estampada na cara dos que não tem senso de humanidade. Basta um olhar, para ver que o sistema de saúde é uma ferida aberta que mata o povo (o que mais precisa dele) não constrange nem um pouco o governo (esse mesmo que criou uma falência múltipla de alguma coisa que um dia funcionou nesse país) principal responsável por administrar o dinheiro pago com os imposto, o suor e o desespero de nossa gente. E esse é um ponto crucial da grande chaga aberta, tarifações, taxas, impostos, aumentos e contribuições forçadas (pois se é contribuição, caberia o cidadão pagar ou não) que só servem para alimentar uma máquina cara, inchada e garantir privilégios a políticos que não serve absolutamente para nada no que diz respeito a melhorar a vida do povo. As poucas instituições que mereciam a confiança da população estão sendo desacreditadas pelo próprio governo, interessado em sucatear o sistema para vendê-lo aos grandes grupos econômicos. Seria muito, mas muito interessante um estudo sociológico que possibilitasse a classe política (pois esta de fato é uma classe à parte que vive num mundo aristocrático longe da realidade do povo) a viver com o salário, que eles rotulam de mínimo, pelo menos por uns seis meses. Talvez alguns deles enlouquecessem ou se matassem, visto que viver de mordomia e não trabalhar é fácil, ganhar honestamente o pão de cada dia e se virar com pouco mais de mil reais isso é que é difícil. Hoje, o político eleito para legislar pelo povo passou a legislar em causa própria, a interesse de alguém ou corporativamente. Claro que não se pode generalizar, há bons elementos na política (cada vez mais raros) e com intenções sérias, mas são células isoladas no meio desse cranco que se instalou em todos os níveis da administração. Não tenho a utopia de dizer que poderíamos viver em uma sociedade perfeita, mas pelo menos copiar de outros países o que funciona. Há no Brasil um facilidade para se aprovar leis, aumentos, taxas e outros absurdos que no fundo jamais beneficiam a população (apenas a grupos do próprio governo, que se matam por cargos, privilégios e projetos de poder) e tiram dela o que ela já não pode mais dá, colocando o Brasil como um dos países com os tributos mais caros do mundo. Posso até concordar em pagar, desde que de fato a educação, a saúde, a segurança, os programas sociais, a previdência e a infraestrutura funcionassem. As estradas estão intransitáveis (onde acham que a solução é empresas particulares cobrarem pedágios para administrar, não funciona), a previdência sucateada e acreditem, a reforma é uma grande desculpa para tapar um rombo que o próprio governo criou e não tem como pagar. Reformas políticas, trabalhista, econômicas, nenhuma delas traz nenhum benefício de fato à população, no fundo, atende as necessidades do próprio governo. Para que investir em educação? É mais interessante a eles, ter pessoas sem conhecimento e sem senso crítico, são mais manipuláveis. Quem questiona incomoda. Nenhum partido (e aqui tem tantos que se juntar em um só ainda assim não presta) quer ser questionado. Ser político hoje no Brasil é poder empregar a mulher, os cunhados, os irmãos, os filhos, a mãe, o pai, os agregados e os amigos, arrumar todo mundo, menos defender o interesse do povo, pois se somar os votos dos amigo, dos agregados e da família, com certeza o sujeito não seria eleito. Pobre povo, é lembrado e usado na época de campanha apenas como massa de manobra. Nossos parlamentares que querem ou pensam em fazer alguma coisa, são asfixiados pela grande maioria que não votam os projetos de fato interessantes para o povo. E ainda dizem que democracia é o governo feito pelo povo e para o povo. Não aqui. 
No parlamento inglês, um dos mais tradicionais do mundo, não há mordomias, ajuda de custo, auxílio moradia, verba de gabinete, adicionais, carro oficial, apartamento funcional, auxílio paletó, plano de saúde (se a saúde funcionasse, não existiriam planos), lá, os parlamentares vão trabalhar de ônibus, de metrô ou vão no seu próprio carro e moram em suas próprias casas (God save the Queen and not the president). Há que haver um despertar popular, sem políticos por trás, (pois geralmente sempre tem um para querer levar os créditos) uma autoconsciência das massas, a quem chame de levante, despertar, revolta, não sei qual termo seria o mais apropriado, a verdade é que o povo perdeu o brio, talvez massacrado até ser desprovido de saber a força que tem. Mas acredito que o conhecimento, a informação e a educação é o que levará o cidadão a um nível de consciência de que ele pode, deve e saberá fazer a diferença. É através do trabalho, da solidariedade, da união e do desejo de mudança que se dará o passo seguinte. Da forma como está, é impossível. Não há regime ou governo perfeito, mas há governo justo, que trata bem seu povo (Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Suécia, Noruega, Finlândia, Chile, Islândia, Suíça, Luxemburgo, Holanda, Singapura, Nova Zelândia, Dinamarca, Portugal, Japão e outros países mundo afora) tem respeito pelo seu povo. Não sei se vejo isso, mas alimento o desejo (pois esperança é utopia) de que meu netos ou bisnetos tenham um país melhor do que o que vivo hoje. Se não um país dos sonhos, pelo menos um onde seu direitos e dignidade sejam respeitados. Mas por enquanto, o país dos sonhos não é aqui.

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